Debate mostra que Brasil deve estar pronto para novas tecnologias

Infraestrutura e legislação devem se antecipar a novos marcos

O Brasil deve preparar o seu ambiente regulatório, tributário e de infraestrutura para a chegada e o desenvolvimento de novas tecnologias de telecomunicação e de tráfego de dados, como o 5G. É o que dizem especialistas que participaram hoje (10) do debate virtual O Futuro da Telecom, promovido pela Secretaria do Desenvolvimento da Infraestrutura da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, do Ministério da Economia.

O superintendente de competição da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Abraão Balbino, disse que o Brasil ainda tem muitos desafios para conectar todos os municípios e habilitar as novas tecnologias que estão surgindo. Além disso, mercados como de computação e armazenamento em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas e realidade virtual demandarão uma infraestrutura mais potente do que a existente hoje. “E temos a necessidade de políticas públicas e regulação que incentive o investidor”, destacou.

Balbino explicou que o sistema regulador tem que atuar apenas onde há falhas no mercado. “Se o mercado tem capacidade de responder da maneira mais próximo possível, não há que ter regulação”, disse.

A coordenadora-geral de telecomunicação da Secretaria de Desenvolvimento da Infraestrutura, Nathalia Lobo, concorda com as afirmações, e disse que a privatização da Telebrás, em 1998, foi fundamental para o desenvolvimento do setor com investimentos privados. “Esse regime privado e ausência de regras muito rígidas, com criação de algum regramento por falha de mercado, permitiu que muitas inovações fossem incorporadas”, explicou. Para ela, também é preciso garantir a rentabilidade do setor para que ele chegue até “os rincões” do país com transporte de dados de qualidade.

O superintende da Anatel alerta que o Brasil “não é um país só”, mas diverso em populações e territórios, e que é preciso direcionar políticas e subsídios públicos onde o setor privado não chega por falta de infraestrutura ou competitividade.

Para Balbino, um dos maiores gargalos para a ampliação da tecnologia é a infraestrutura passiva urbana. “São 45 milhões de postes, cerca de 20% estão completamente ocupados com uma infraestrutura caótica, um emaranhado de fios”, disse, explicando que o custo para organização de ocupação de postes chegaria a R$ 20 bilhões. “Isso exige uma ação transversal que envolve o setor elétrico e as municipalidades. Existe o papel de política pública para ajudar a unir essas pontas”.

Com Agência Brasil

Matheus Nani

Jornalista formado pela Unopar

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